Em entrevista ao Brado Jornal, nesta sexta-feira (13), a advogada Tanieli Almeida, presidente do Instituto Gritos de Liberdade, fez duras críticas à falta de apoio institucional e político aos réus do 8 de janeiro. A declaração foi feita em resposta a uma indagação da apresentadora Vanessa Moreira, que citou o exemplo do ex-presidente Jair Bolsonaro, que recebeu R$ 17 milhões para sua defesa, mas que, segundo Tanieli, não contribuiu com nenhuma doação ao Instituto Gritos de Liberdade.
“Desde o início, nossa missão foi humanizar os processos, mostrar quem são esses réus, suas histórias e o sofrimento de suas famílias. Nunca buscamos a ajuda direta de políticos, mas sempre deixamos claro que estamos abertos a doações, seja de quem for. No entanto, posso afirmar com segurança que, dos mais de 200 casos que atendi até hoje, nenhum desses réus recebeu uma visita ou sequer uma ligação de qualquer político. São muitos os que utilizam o nome dos réus para fazer palanque político, mas são poucos os que realmente lutam pela anistia que, no momento, seria uma das alternativas para aliviar o sofrimento dessas famílias”, declarou a advogada.
A ausência de qualquer tipo de ajuda ou atenção por parte de políticos tem sido uma constante na luta do Instituto, que tem se dedicado a defender os direitos dos detidos após os eventos de 8 de janeiro, quando os atos de vandalismo no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto geraram uma série de prisões. Segundo Tanieli, a situação se agrava com o distanciamento dos responsáveis pela administração pública, que pouco ou nada têm feito para apoiar as famílias, muitas delas em situação de vulnerabilidade social.
“Nosso trabalho tem sido, muitas vezes, solitário. Ao longo do tempo, buscamos parcerias, mas a realidade é que, além do descaso, enfrentamos uma resistência para que a situação desses presos seja tratada com dignidade. Enquanto alguns políticos se destacam nas mídias, fazendo promessas e discursos, a realidade das famílias dos réus é bem diferente. Elas estão sozinhas e abandonadas”, afirma Tanieli.
A falta de apoio também reflete em outras esferas. A advogada destacou que, enquanto o país vive um cenário político polarizado, os réus do 8 de janeiro continuam à margem das discussões, sem qualquer perspectiva de apoio real, seja financeiro ou moral.
A situação, segundo a presidente do Instituto, é ainda mais dramática ao considerar que muitos dos presos vêm de classes sociais mais baixas e possuem poucas ou nenhuma representação legal. A busca por justiça e anistia para essas pessoas, muitas vezes rotuladas de maneira negativa pela mídia, é uma das bandeiras do Instituto Gritos de Liberdade, que segue lutando pela reabilitação e reintegração dos detidos.
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— BRADO (@bradoradio) December 13, 2024
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