Um tribunal em Avignon, na França, condenou Dominique Pelicot, de 72 anos, à pena máxima de 20 anos de prisão nesta quinta-feira (19). Ele foi considerado culpado de agredir sexualmente sua ex-esposa, Gisèle Pelicot, por quase uma década e de oferecê-la a dezenas de homens para estupros. O caso, que veio à tona nos últimos meses, gerou comoção nacional e reacendeu o debate sobre violência sexual no país.
Entre 2011 e 2020, Dominique drogava Gisèle com altas doses de ansiolíticos, deixando-a inconsciente para cometer os abusos, muitas vezes colocando sua vida em risco. Em imagens obtidas pela polícia, foram identificados 92 agressores diferentes. Destes, 51 já foram localizados e estão sendo processados neste julgamento.
Penas inferiores às propostas
Embora os promotores tenham solicitado penas entre 10 e 18 anos para os outros 50 réus, o tribunal aplicou sentenças mais brandas, variando de 8 a 10 anos para a maioria. A decisão gerou críticas por parte da família da vítima, que considerou as punições insuficientes diante da gravidade dos crimes.
"Os filhos de Gisèle estão decepcionados. As sentenças ficaram abaixo das expectativas do Ministério Público, entre 3 e 20 anos para crimes tão atrozes", afirmou um familiar que preferiu não se identificar, em entrevista à agência AFP.
Além dos crimes contra Gisèle, Dominique também foi condenado por gravar imagens sexuais de sua filha e de suas duas noras.
Resiliência e protestos
Durante o julgamento, Gisèle Pelicot optou por encarar os réus de frente, sem esconder o rosto, em uma demonstração de coragem e resiliência. “Para que a vergonha mude de lado”, afirmou.
O caso motivou protestos em várias cidades francesas, com manifestantes exigindo justiça para Gisèle e mudanças na legislação sobre crimes sexuais. Ativistas também reacenderam o debate sobre a definição de estupro no código penal francês, pedindo uma reforma para incluir explicitamente que qualquer ato sexual sem consentimento seja considerado estupro.
Repercussão nacional
A condenação de Dominique Pelicot e dos demais agressores representa um marco no combate à violência sexual na França, mas as sentenças abaixo do esperado e a impunidade de agressores ainda não localizados levantam questionamentos sobre o sistema de justiça.
O caso continua a mobilizar a opinião pública e ativistas, que veem em Gisèle Pelicot um símbolo de luta contra a violência de gênero e a impunidade.
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