O presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, surpreendeu o país ao decretar lei marcial nesta terça-feira (3). A medida, justificada como uma resposta à "ameaça das forças comunistas da Coreia do Norte", foi amplamente criticada, inclusive por aliados, e gerou protestos nas ruas e no Parlamento.
Reação imediata e votação contra a medida
Militares ocuparam Seul, invadiram a Assembleia Nacional e restringiram liberdades civis. Apesar disso, 190 dos 300 deputados se reuniram no local, sob forte tensão, e votaram unanimemente pela ilegalidade da medida, desafiando o Executivo. Manifestantes também tomaram as ruas em oposição à decisão.
A Constituição sul-coreana determina que o Executivo respeite o Parlamento, mas o Exército, liderado pelo general Park An-su, afirmou que só suspenderá a aplicação da lei marcial mediante ordem direta do presidente Yoon.
Justificativa presidencial e tensões com a oposição
Em pronunciamento nacional, Yoon afirmou que a medida era necessária para "proteger a ordem constitucional". No entanto, a oposição, liderada por Lee Jae-myung, acusa o presidente de usar a lei marcial como cortina de fumaça para crises internas, incluindo escândalos envolvendo aliados e familiares.
O Partido Democrático, maior força opositora no Parlamento, considera a decisão um "autogolpe". Lee convocou a população para resistir, alertando sobre o impacto econômico e social, incluindo a possível paralisação da Bolsa de Seul.
Contexto histórico e internacional
Essa é a primeira imposição de lei marcial na Coreia do Sul desde 1979, período marcado por golpes militares. Desde a transição democrática iniciada em 1987, o país tem vivido em um frágil equilíbrio político.
O cenário internacional também agrava a crise. A relação com a Coreia do Norte, governada pelo ditador Kim Jong-un, está em seu momento mais tenso, com retórica militarista e alianças fortalecidas entre Pyongyang, Rússia e China.
Repercussões internacionais
Os Estados Unidos, aliados estratégicos de Seul, afirmaram estar "monitorando a situação". Yoon, próximo de Washington, é peça-chave na estratégia americana na Ásia-Pacífico.
A crise política coloca em xeque a democracia sul-coreana, tradicionalmente vibrante, e levanta dúvidas sobre os rumos do governo de Yoon, que enfrenta uma aprovação popular de apenas 19%, segundo pesquisas recentes.
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