A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio da venda da casa de Alexsandro Broedel Lopes, ex-diretor financeiro do Itaú Unibanco, acusado de fraude pela instituição. A medida foi tomada a pedido do banco, que argumenta que o imóvel pode ser necessário para cobrir a indenização de R$ 3,35 milhões solicitada contra o ex-executivo.
A decisão foi emitida na última terça-feira (25) pela juíza Larissa Gaspar Tunala, da 1ª Vara Empresarial e de Conflitos de Arbitragem. Segundo a magistrada, Broedel enfrenta uma “delicada situação financeira”, o que justifica o bloqueio do bem. Além disso, a Justiça considerou o fato de que ele já reside fora do Brasil, o que poderia dificultar o cumprimento da sentença.
Em dezembro de 2024, o Itaú acusou Broedel de violar políticas internas e atuar em conflito de interesses ao contratar uma empresa de pareceres e consultoria de forma irregular. Como CFO do banco, ele teria aprovado pagamentos no total de R$ 10,45 milhões entre 2021 e 2024 para um fornecedor que, indiretamente, o beneficiava financeiramente.
A ação judicial aponta que Broedel possuía 80% da empresa Broedel Consultores, em sociedade com o consultor Eliseu Martins. Segundo a denúncia, ele contratava os serviços da empresa Care, de Martins, que repassava parte dos valores recebidos para a Evam, outra empresa do consultor e seus filhos. A Evam, por sua vez, fazia pagamentos diretos a Broedel, tanto como pessoa física quanto jurídica.
Tanto Broedel quanto Martins são réus no processo movido pelo Itaú. O ex-diretor nega as acusações e alega que os serviços contratados já eram prestados ao banco há décadas, antes de sua gestão. Ele ainda classificou a ação como “infundada” e sugeriu que o processo tenha sido motivado por sua ida ao Santander, um dos principais concorrentes do Itaú.
Broedel trabalhou no Itaú por 12 anos e também foi diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ele deixou o banco em julho de 2024 e, pouco depois, foi contratado pelo Santander como chief accounting officer, para liderar a unidade global de contabilidade do banco espanhol. Atualmente, ele mora em Madri e aguarda autorização regulatória para assumir o cargo.
O Santander afirmou que acompanha o caso, mas reforçou que Broedel é um executivo “altamente conceituado”. Enquanto isso, a CVM abriu um processo administrativo relacionado ao caso, tendo o Itaú como parte interessada.
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