Jimmy Carter, 39º presidente dos Estados Unidos, faleceu neste domingo (29.dez.2024) aos 100 anos. A notícia foi inicialmente divulgada pelo Washington Post.
O democrata enfrentava problemas de saúde há anos. Em fevereiro de 2023, optou por suspender tratamentos médicos e passou a receber cuidados paliativos em casa, após um melanoma (câncer de pele) se espalhar para seu fígado e cérebro. Antes disso, em 2015, venceu um câncer cerebral, mas em 2019 enfrentou complicações e foi submetido a uma cirurgia para aliviar a pressão no cérebro.
Carter, que nasceu em 1º de outubro de 1924, na pequena cidade de Plains, Geórgia, foi o presidente mais longevo da história dos Estados Unidos, ultrapassando George H.W. Bush, que faleceu aos 94 anos em 2018.
Carreira militar e início na política
Filho de Earl Carter, um agricultor de amendoim, e de Bessie Lillian Gordy Carter, uma enfermeira, Jimmy Carter se formou em 1946 pela Academia Naval dos Estados Unidos, em Annapolis. Nesse mesmo ano, casou-se com Rosalynn Smith, com quem teve quatro filhos: Amy, Jack, Donnel e James.
Após sete anos servindo na Marinha, Carter retornou à Geórgia em 1953 para assumir a fazenda de amendoim da família após a morte de seu pai. Durante esse período, despertou seu interesse pela política, em meio às tensões provocadas pela segregação racial no sul do país.
Em 1962, Carter ingressou no Partido Democrata e foi eleito para o Senado Estadual da Geórgia. Em 1970, tornou-se governador do Estado, ganhando destaque por sua luta contra a segregação racial e iniciativas em educação e reforma penitenciária.
Chegada à Casa Branca
Em 1974, Carter anunciou sua candidatura à presidência. Embora pouco conhecido fora de seu Estado, sua imagem como alguém de fora do círculo político tradicional de Washington o beneficiou, especialmente em meio ao desgaste da classe política após o escândalo de Watergate.
Em 1976, Carter venceu o republicano Gerald Ford, conquistando 297 votos no Colégio Eleitoral contra 241 de seu adversário. Ele foi empossado em 20 de janeiro de 1977.
Presidência marcada por desafios
Carter governou em um período de turbulências econômicas, com inflação elevada, desemprego e uma crise energética. Entre suas principais ações internas, concedeu anistia aos desertores da Guerra do Vietnã.
No campo internacional, Carter assinou o tratado SALT II com a União Soviética, que buscava a redução de armamentos nucleares, embora a ratificação tenha sido suspensa após a invasão soviética ao Afeganistão em 1979. Ele também liderou o boicote dos Estados Unidos aos Jogos Olímpicos de Moscou em 1980.
Seu governo ficou marcado pela crise dos reféns no Irã, quando 52 norte-americanos foram mantidos reféns por 444 dias na embaixada dos EUA em Teerã. Carter tentou negociações e autorizou uma missão de resgate que fracassou, o que afetou sua popularidade. Ele perdeu a reeleição para Ronald Reagan em 1980.
Atuação pós-presidência
Após deixar a Casa Branca, Carter fundou, ao lado de sua esposa Rosalynn, o Centro Carter, em Atlanta. A organização se dedica à promoção dos direitos humanos, fortalecimento da democracia e busca por soluções pacíficas para conflitos globais.
Por suas décadas de trabalho humanitário, Carter foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 2002, reconhecido por seus esforços incansáveis para a resolução de conflitos internacionais e melhorias na qualidade de vida de comunidades vulneráveis.
Jimmy Carter deixa um legado de luta pela justiça social, inclusão e paz global, refletindo os valores que marcaram sua vida pública e privada.
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