Edifícios de luxo estão cedendo na costa de Miami e preocupam a cidade

A revelação gerou apreensão, especialmente após o desmoronamento de um prédio em Surfside, em 2021, que resultou na morte de 98 pessoas.
Por: Brado Jornal 28.dez.2024 às 14h08
Edifícios de luxo estão cedendo na costa de Miami e preocupam a cidade

Uma pesquisa conduzida pelo Departamento de Ciências Marinhas, Atmosféricas e da Terra da Universidade de Miami, divulgada no início de dezembro, apontou que 35 imóveis de alto padrão em Miami estão apresentando um processo de subsidência.

Preocupações após colapso em Surfside

A revelação gerou apreensão, especialmente após o desmoronamento de um prédio em Surfside, em 2021, que resultou na morte de 98 pessoas.

Como o problema foi detectado

A análise foi realizada a partir de imagens de satélite, com 223 registros capturados pelos satélites europeus Sentinel-1 e Sentinel-2, além do sensor alemão TerraSAR-X, no período entre 2016 e 2023. Esses instrumentos utilizam elementos fixos, como sacadas e unidades de ar-condicionado, como referências para identificar mudanças nas estruturas.

Os edifícios analisados estão situados em um raio de 19 quilômetros, abrangendo regiões como Miami Beach e Sunny Isles Beach. O rebaixamento detectado varia de dois a oito centímetros entre os prédios.

Motivos por trás do fenômeno

Segundo o engenheiro Julio Timerman, diretor do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon), o fenômeno está relacionado às características geológicas da área. O solo de Miami é formado por rocha calcária, que possui certa flexibilidade, favorecendo a acomodação do terreno.

“Essas alterações estão sendo observadas há aproximadamente 30 anos. Não é algo repentino. Apesar de não ser comum, é uma situação administrável, desde que acompanhada de maneira contínua”, esclarece Timerman.

Vistoria em um dos edifícios

Durante uma visita a Miami, Timerman inspecionou uma das construções afetadas e não identificou sinais de comprometimento estrutural. “Diferente do que ocorre em Santos, onde vemos prédios inclinados, o edifício que examinei não apresenta rachaduras, fissuras ou descolamento de acabamentos e janelas – sinais que poderiam indicar problemas mais sérios”, explicou.

O engenheiro também ressaltou que as fundações dessas construções, projetadas para resistir a furacões, contam com estacas de mais de 30 metros de profundidade. Essas estacas alcançam a camada de rocha calcária, que, por sua elasticidade, contribui para o processo de assentamento do solo.

Edifícios renomados na lista

Entre os imóveis mencionados estão empreendimentos de destaque, como duas Trump Towers, o The Ritz-Carlton Residences e a Porsche Design Tower.

Monitoramento é indispensável

Embora não haja sinais imediatos de perigo, os especialistas enfatizam a necessidade de acompanhar essas estruturas regularmente para prevenir eventuais complicações no futuro.



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