O Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira (19) o relatório de inflação, revelando que há quase 100% de chance de descumprimento da meta fiscal para 2024. A projeção para 2025 é de 50% de probabilidade de desvio, enquanto, para 2026, a estimativa é de 26%.
O documento também aponta que a inflação acumulada em 12 meses deverá ultrapassar o teto da meta, fixado em 4,5% para este ano. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador de inflação do país, acumulou 4,29% de janeiro a novembro, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Pressões inflacionárias
De acordo com o BC, a inflação aumentou de 4,24% em agosto para 4,87% em novembro, com um impacto de +0,44 ponto percentual acima das previsões do relatório anterior. O aumento foi impulsionado por fatores como alta nos preços dos alimentos, aquecimento econômico e desvalorização cambial.
“A principal surpresa ocorreu nos preços de alimentos, com destaque para a carne bovina, que subiu mais cedo e de forma mais intensa do que o previsto. Também houve repasse dessa alta para alimentação fora do domicílio”, afirma o relatório.
Outros itens que contribuíram para a inflação incluem o seguro voluntário de veículos e alimentos industrializados. Já o preço da gasolina, que permaneceu estável, e os bens industriais, como vestuário e artigos de residência, apresentaram surpresas menores.
Projeções de crescimento econômico
Apesar das dificuldades fiscais e inflacionárias, o Banco Central revisou para cima sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023, de 3,2% para 3,5%. A projeção supera a do Ministério da Fazenda, que estima alta de 3,3%.
Para 2025, o BC prevê um avanço de 2,1% na economia brasileira, acima da previsão de 2% divulgada em setembro, mas ainda inferior à estimativa do governo Lula, que projeta um crescimento de 2,5% para o mesmo período.
O relatório destaca o desafio de cumprir as metas fiscais em um cenário de inflação elevada e custos crescentes. A meta central de inflação para 2024 é de 3%, com uma margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. A autoridade monetária já havia sinalizado o risco de descumprimento em ata recente do Comitê de Política Monetária (Copom), que estimou inflação de 4,9% para este ano.
O Banco Central reforçou que manterá o monitoramento da conjuntura econômica e destacou a necessidade de ajustes nas políticas fiscal e monetária para enfrentar os desafios.
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