Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça do Rio de Janeiro revelaram detalhes da atuação de Yuri Pereira Gonçalves, conhecido como “Pará”, em crimes organizados. Preso na última quarta-feira (26) em uma mansão do rapper Oruam, Yuri foi flagrado nas gravações participando do planejamento e execução de um roubo de carga em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Durante o assalto, o criminoso chegou a disparar contra o caminhão da vítima.
As interceptações, realizadas com autorização da 38ª Vara Criminal da Capital, revelam que Yuri e seus comparsas discutiram o uso de armas e simulacros para o crime. Em uma das conversas captadas, Yuri cobra informações sobre uma arma e uma réplica, elementos essenciais para a abordagem ao caminhoneiro.
A transcrição das ligações aponta que Yuri e outros integrantes do Comando Vermelho monitoravam a movimentação do caminhão antes de iniciar a investida. Eles discutiam a melhor estratégia para a abordagem e davam ordens para enquadrar a vítima. Durante a ação, o motorista teria tentado derrubar Yuri do veículo em movimento, levando o criminoso a disparar contra o caminhão.
“Deu ruim, dei um tirão nele… ele não quis parar. Eu enquadrei ele, desci do carro… acertou não… caminhão parou no meio da pista”, relatou Yuri em uma das gravações.
Apesar da tentativa frustrada, o grupo continuou a perseguição, coordenando as ações para finalmente render o motorista. A vítima foi coagida a seguir as ordens dos assaltantes, que enfatizavam a necessidade de evitar o acionamento do “botão de pânico”, que poderia travar o veículo.
Ao renderem o motorista, os criminosos tentaram identificar a carga transportada e calcular seu valor. Yuri questionou se o material era leite ou carne, mas o motorista explicou que se tratava de polietileno, material usado na produção de plástico. O grupo estimou que a nota fiscal variava entre R$ 60 mil e R$ 100 mil.
“Piloto, nós não vai esculachar, não vai levar nada seu, celular, é só tu vir na moral… vem seguindo o carro preto”, garantiu um dos criminosos na gravação.
As investigações apontam que Yuri Pereira Gonçalves, além de envolvimento com roubos de carga, também é acusado de tráfico de drogas. Ele foi detido junto com outras 41 pessoas ligadas ao Comando Vermelho, conforme denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
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