Governo do PT autoriza herdeiro da TV Globo a construir Resort de Luxo em área preservada na Bahia

O Empreendimento, que tem como sócios José Roberto Marinho e Armínio Fraga, será construído na Ilha de Boipeba em área preservada que afetará Mata Atlântica, Indígenas e Povos Tradicionais
Por: Brado da Redação 13.mar.2023 às 04h01 - Atualizado: 13.mar.2023 às 13h12
Governo do PT autoriza herdeiro da TV Globo a construir Resort de Luxo em área preservada na Bahia
Armínio Fraga, Roberto Marinho, Ilha de Boipeba, © Folhapress

O Governo da Bahia através do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), órgão subordinado a Secretária de Meio Ambiente da Bahia (Sema), publicou no último dia 08/03 uma portaria que autoriza o início da construção de um Resort de Luxo na Ilha de Boipeba, localizada no litoral sul da Bahia e próxima a Morro de São Paulo a ilha fica em uma das áreas mais preservadas da Mata Atlântica que será desmatada para dar espaço ao empreendimento que tem como sócios o herdeiro da TV Globo, José Roberto Marinho e o economista Armínio Fraga, a portaria ainda autoriza a “supressão de vegetação nativa” e “manejo da fauna”

A autorização do Governo da Bahia permite a empresa "Mangaba Cultivo de Coco Ltda", construir um empreendimento turístico imobiliário luxuoso, composto por casas de alto padrão, pousadas, campos, aeroporto, píer para mais de 150 barcos e um campo de golfe, a construção ocupará uma área semelhante a 1.700 campos de futebol uma área equivalente a 20% ou um quinto da ilha de Boipeba. 

Em meados de março de 2019, órgãos ambientais baianos e a empresa de frutas assinaram um “termo de compromisso” reforçando o sinal verde ao megaempreendimento, segundo reportagem do site ambientalista oeco, mesmo após a eleição do novo governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), autodeclarado indígena, a direção do Inema que autorizou a obra se manteve intacta. Na ocasião, o secretário de Meio Ambiente João Carlos Silva disse que o “grande atrativo dessa região é o ativo ambiental que se encontra ali. Isso tem que ser preservado, pois é o que torna a área relevante”, mas a realidade do projeto e as denúncias de moradores tradicionais mostram outro cenário.

A liberação da obra é discutida desde 2014, a área pública é protegida por Lei Federal e pertencente à União, em maio de 2019, ainda durante o Governo Bolsonaro, o Ministério Público Federal (MPF) expediu recomendação à Secretaria do Meio Ambiente do Estado da Bahia (Sema) e ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), para interromperem o processo de licenciamento.    

O projeto veio a tona novamente esta semana e virou alvo de polêmica, ambientalistas e moradores do local que são contrários à construção fizeram um abaixo-assinado para impedir o avanço das obras, a ação já conta com mais de 13 mil assinaturas, "os danos causados seriam irreparáveis para o ecossistema do local, indo na contramão do turismo ecológico e sustentável" afirmam ambientalistas, ainda segundo reportagem, a liderança local, Raimundo Esmeraldino Silva, alertou que áreas tradicionais de pesca eram bloqueadas, barracos de pescadores foram derrubados e que moradores que trabalhavam em fazendas tinham empregos ameaçados para “engolir o projeto”, “Nunca plantaram [a empresa] um pé de coco, nem de mangaba. Pelo contrário, querem tirar os pés de mangaba que são parte de nossa renda e alimentação. Sempre tiramos nosso sustento da agricultura, do extrativismo e da pesca. Estão acabando com nossa cultura e nossa identidade”, desabafou Silva.






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